Sicredi março 2026
Lista Telefônica
Imagem de telefone

'Saiu da churrasqueira': juízes são vítimas de racismo durante live no PR de evento sobre igualdade

Postada em: 23/03/2026 Atualizada em: 23/03/2026 14:56:05 Número de visualizações 89 visualizações
LinkedIn whatsapp
'Saiu da churrasqueira': juízes são vítimas de racismo durante live no PR de evento sobre igualdade

Perfil falso com nome de Jeffrey Epstein está entre contas usadas no crime. Presidente do TJ-PR disse em sessão que 'ato de ódio exige resposta'.


Dois juízes foram vítimas de ataques racistas durante uma transmissão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR) sobre igualdade de gênero. Um dos comentários investigados diz que um magistrado "saiu da churrasqueira".

Clique aqui para participar de um dos nossos grupos no WhatsApp


As vítimas foram Fábio Francisco Esteves, conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e Franciele Pereira do Nascimento, juíza auxiliar da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na quarta-feira (18), os dois participavam do Programa Paraná Lilás e da Apresentação do Programa Brasil Lilás, quando os comentários racistas foram escritos no chat da transmissão, que era feita via YouTube.

O evento foi realizado em formato semipresencial, com transmissão ao vivo para escolas da rede estadual, e presencialmente no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte, no noroeste do Paraná.


Os perfis que cometeram o crime têm nomes falsos, sendo que um deles usava nome e foto de Jeffrey Epstein - bilionário acusado de tráfico sexual de crianças e adolescentes, além de outros crimes.


Confira os registros abaixo:


Comentários racistas deixados na transmissão do TJ-PR. — Foto: Reprodução


Um dos perfis falsos usava nome de Jeffrey Epstein para realizar o ataque racista. — Foto: Reprodução

  • Repúdio do tribunal e investigação da polícia


A desembargadora Lidia Maejima, atual presidente do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), usou o início da sessão plenária desta segunda-feira (23) para falar sobre o ataque racista. Assista a íntegra acima.


"Que um ato de ódio tenha irrompido precisamente nesse espaço não é ironia, é uma afronta que exige resposta clara", disse a desembargadora.


A magistrada usou o espaço na sessão para ressaltar a gravidade do crime, que é inafiançável e imprescritível. Além disso, destacou que o Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional (NISI) tenta identificar os autores.


"Agredir um ser humano em um evento oficial não é apenas um atentado ao indivíduo, é uma afronta à Justiça e a todos que nela confiam. [...] O Tribunal de Justiça do Paraná não será conivente com o racismo", disse a desembargadora.

O caso também é investigado pela Polícia Civil de Loanda, cidade do noroeste do Paraná que fica a 28 quilômetros de Querência do Norte, onde a transmissão foi realizada presencialmente.


A polícia enviou uma nota informando que "realiza as diligências necessárias para o esclarecimento do ocorrido".


Também em nota, o STF e o CNJ expressaram solidariedade às vítimas e afirmaram ter tomados todas as providências legais e administrativas.


  • Quem são as vítimas

Franciele Pereira do Nascimento é natural de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Ela estudou em escolas públicas, cursou graduação e mestrado na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e foi promovida a juíza de Direito em 2024.


Em 2025, ela falou em entrevista ao TJ-PR sobre as dificuldades de acesso de mulheres pretas à magistratura, a ausência de redes de apoio e a falta de referências em posições similares.


Fábio Francisco Esteves nasceu no interior do Mato Grosso do Sul, formou-se em Direito pela Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS) e assumiu a magistratura em 2007.

Fonte: G1

Compartilhe:
LinkedIn whatsapp